Caso David Diogo: EXAMES QUE COMPROVAM PERDA DA VIRGINDADE DA MENOR TERÃO DESAPARECIDOs MISTERIOSAMENTE

 


Edson Fortes

Nove meses depois de se ter tornado público o suposto rapto concorrido com estupro, envolvendo o então pivô do principal serviço noticioso da TV Zimbo, David Diogo, contra à menor Kamia Domingas Francisco, na comuna do Cabo Ledo, em 24 de Junho de 2020, eis que surgem novas revelações: o caso não tem pernas para andar, porque os exames sobre a virgindade da menor terão desaparecido misteriosamente, pelo que, os instructores do processo pedem outros.


Engrácia Francisco

Os exames em causa teriam sido solicitados pelos instructores Londa e Agostinho Ferreira, do SIC, e realizados no Laboratório Central de Criminalística, quatro dias após a ocorrência, invalidando o anterior, realizado num posto médico na comuna do Cabo Ledo, local onde alegadamente tudo ocorrera, e que uma médica parteira confirmava o coito.

“Questiono-me, todos os dias, será que só o processo da minha filha, por envolver um renomado jornalista, é que não tem reagentes ou o SIC parou desde o ano passado todos os casos de violação sexual por falta de reagentes?”

“Haviam nos dito que os resultados tinham saído e que, à semelhança do primeiro, também confirmava que houve envolvimento, por isso, ficamos descansados, aguardando que o David fizesse, também, o exame de DNA”, explicou o pai da vítima.

Ademais, disse, desde que a filha denunciou ter alegadamente sido estuprada pelo jornalista, tem havido, segundo o mesmo, uma mão invisível, impedindo que o processo siga o seu curso normal. Por isso mesmo, revela, a família viu-se forçada a socorrer-se às altas instâncias da Procuradoria-Geral da República de Angola (PGR) de formas a que possa responsabilizar o infractor pelos seus actos.

Outrossim, afirma peremptório o pai da jovem, o caso só não transitou ainda em julgado “porque os instructores encarregues do processo tudo fazem para que o caso fique no esquecimento”.

“O processo desceu com ordens expressas para que se fizesse a acareação e se anexasse os resultados dos exames realizados no Laboratório de Criminalística”, disse acrescentando que o Laboratório enviou o processo à PGR, mas sem os resultados dos exames da menina, alegando que não têm reagentes para o teste de DNA da menina.

“Questiono-me, todos os dias, será que só o processo da minha filha, por envolver um renomado jornalista, é que não tem reagentes ou o SIC parou desde o ano passado todos os casos de violação sexual por falta de reagentes?”, questiona o pai, visivelmente indignado.

Por outro lado, indaga, também, por que razão só este ano é que se alega que não há reagentes para a realização do exame de DNA, uma vez que o caso já está em sua posse desde Junho do ano passado. Por isso, afirma, “a minha filha não vai repetir o exame”.

De acordo ainda com o pai da vítima, aquando da realização da acareação, em sede do SIC, em Janeiro último, que durou pouco mais de dez horas (entre às 11 da manhã às 11 da noite), o suspeito confessou os actos sobre o qual é acusado, a ponto de responder: “o chefe Victor é que sabe o que vai fazer comigo”, quando questionado pelo instructor como ficavam as coisas.

“Se fosse um cidadão normal, o processo já deveria estar em tribunal. Até onde sei, o senhor David tem feito frequência no laboratório de criminalística e muitas vezes ele furtou-se a comparecer para a realização dos exames, tendo eu me questionado o por quê daquela atitude”, explicou, sublinhando que “se calhar por se tratar de um conhecido jornalista, o que faz dele um herói”.

Neste momento, diz, o caso está praticamente parado, porque a PGR está a aguardar pelos resultados dos exames por parte do SIC. “E o SIC pede-nos para realizar outro exame.Estão a usar manobras para ver se desistimos do caso, mas nós não vamos desistir”, notou.


Vítima sofre bullying e paralisa as aulas


De acordo com o pai de Kamia Domingas Francisco, estudante do 11.º ano no curso de enfermagem num estabelecimento de ensino particular, a mesma teve de cancelar o ano lectivo devido aos constantes insultos que sofria no colégio.

Para a filha, sublinha o pai, apesar deste acontecimento, nutre uma imensa vontade de seguir com os estudos, “mas as sequelas são tão visíveis que está a ser difícil de as apagar, apesar de estar a ser acompanhada por uma psicóloga.

“Há dois meses que comecei a ter aula”, disse a jovem, lembrando que os seus familiares tiveram que publicar nas redes sociais a sua desistência das aulas.

“Os meus colegas vieram até à minha casa dar força e incentivar-me a voltar a estudar, mas os dias foram passando e todos aperceberam-se da situação e olhavam-me mal, sempre que passasse comentavam, o que me oprimia e fazia com que eu não assimilasse as matérias”, revelou Kamia.

Apesar disso, afirmou que “gosta muito de estudar, mas, entretanto, esta situação acabou consigo”.

O jornal O Crime contactou o Serviço de Investigação Criminal na pessoa do seu porta-voz, Manuel Halaiwa, para mais informações a respeito deste caso, mas sem sucesso.


Fonte: Jornal O Crime

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