Tribunal adia congresso da FNLA - Partido não conhece novo presidente


Tribunal adia congresso da FNLA - Partido não conhece novo presidente

Foi orientado do Tribunal Constitucional(TC) em decorrência de um recurso interposto pelo suspenso secretário- geral da FNLA, Pedro Mucumbi Dala.

A decisão do Tribunal Constitucional foi já comunicada ao líder do partido, Lucas Ngonda, que, segundo os estatutos, compete a ele convocar o conclave ouvido pelo Comité Central, órgão deliberativo do partido.

Pedro Mucumbi Dala foi suspenso pelo presidente do partido em Junho do ano passado, por divergências com este, tendo sido substituído por Pedro Aguiar.

Segundo a fonte deste jornal, a decisão do Tribunal Constitucional está a ser gerida com secretismo absoluto pelo líder do partido, que se mostrou inconformado com a orientação deste órgão jurisdicional, quando faltam 29 dias para o anunciado conclave.

A fonte confidenciou que Lucas Ngonda desabafou a um membro da comissão preparatória do conclave de que a decisão do Tribunal Constitucional pode condicionar a sua participação no congresso e abrir alas a Pedro Mucumbi Dala, que também tinha manifestado o interesse de se candidatar à liderança do partido no Congresso de Junho.

Antigo confidente de Lucas Ngonda, Pedro Dala, que era tido no seio do partido como o homem a seguir ao líder do partido, em termos de sucessão, está a fazer uma “travessia no deserto”, depois que veio a público denunciar a má gestão da FNLA, depois do seu afastamento compulsivo.

A completar um ano desde que deixou de ser homem de confiança de Ngonda, o suspenso secretário- geral juntou-se a um grupo de antigos colegas seus, que terá hostilizado durante a sua vigência, mas que lhe concederam o perdão, destacando-se os quadros e militantes Fernando Pedro Gomes, Laiz Eduardo, Joveth de Sousa, Tristão Ernesto e Ndonda Nzinga.

Entretanto, a decisão do Tribunal Constitucional está a ser aplaudida pela ala do veterano e nacionalista Ngola Kabangu, que, devido à falta da conclusão do processo interno de reconciliação, decidiu não participar no conclave, inicialmente previsto para Junho.

Outra voz discordante da realização do Congresso é a Associação dos Antigos Combatentes (ACC/ FNLA), liderada pelo antigo combatente Lino Ucaca, cujo pronunciamento público foi feito a meio do mês passado, num acto político realizado no município do Kilamba Kiaxi, em Luanda.

Ainda no rol das contestações, o demissionário secretário-geral (2010-2013), David Alberto Mavinga, numa entrevista concedida, recentemente, ao Jornal OPAÍS, desaconselhava Lucas Ngonda a concorrer para mais um mandato, sob pena de levar o partido à extinção nas próximas eleições gerais de 2022.

Ngonda, que lidera o partido desde Julho de 2010, após o afastamento de Ngola Kabangu, que liderou o partido, por decisão do Tribunal Constitucional, após um recurso interposto por Carlinhos Zassala, que alegava irregularidades na eleição deste, está ser contestado por apresentar mais uma candidatura.

Aliás, desde que lidera o partido, houve mais fragmentações do que reconciliação, levando esta força política a transformar-se numa “manta de retalhos”, como se diz na gíria política.

Apesar de a decisão dos tribunais ser de cumprimento obrigatório, Ngola Kabangu, que tinha como vice- presidente Nimi-a- Simbi, contestou-a, alegando ter havido uma “mão invisível” para o afastar da liderança do partido, assumida após a morte, por doença, do presidente-fundador, Holden Roberto, em Agosto de 2007, em Luanda, num congresso extraordinário e mais democrático, do que elevou Ngonda ao cadeirão máximo do partido.

Fonte: Angola-online

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